Fazenda Bahia Camarões chama atenção por crescimento no ramo da aquicultura de forma sustentável e ajuda no crescimento social local
- JOAO MIKAEL DOS SANTOS LOPES

- 20 de dez. de 2024
- 4 min de leitura
Por Victória Nascimento, aluna do 3° período de jornalismo pela UESPI, Picos
Venha descobrir mais sobre essa modalidade de criação de peixes que ganha espaço no meio do agro e de forma sustentável.

Segundo dados da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), a aquicultura cresceu cerca de 5,93% mesmo após o período pandêmico. A aquicultura é um ramo da zootecnia e consiste no cultivo de organismos aquáticos como peixes, moluscos, anfíbios, crustáceos, artrópodes e outros.
A fazenda Bahia Camarões desde o início de seu funcionamento cultiva peixes, sendo eles: tilápia, pirarucu e também artrópodes, mas especificamente o camarão cinza. Utilizando tecnologias de última geração como a aeração, a fazenda consegue aumentar seu cultivo de peixes e camarões e ajuda a garantir segurança para os animais prevenindo pragas e doenças relacionadas à água.
Segundo o agrônomo e proprietário do empreendimento, Miguel Andrighetti, a utilização da aeração no cultivo de peixes em comparação com métodos tradicionais traz um aumento significativo da produção. A aeração é feita por aeradores colocados dentro dos tanques que têm o papel de oxigenar a água, gerando maior fluxo. Utilizando essa técnica, hoje a fazenda cultiva cerca de 15 peixes por metro cúbico enquanto com métodos tradicionais esse número é bem menor, sendo 1 a 2 peixes por metro cúbico.

Com a produção intensiva desses animais a empresa garante para a localidade, que fica afastada do litoral, peixes e frutos do mar durante todo o ano com sabor autêntico do mar, já que todos os seus pescados são cultivados em água salgada e, além disso, processados dentro da fazenda que possui frigorífico próprio para ter melhor controle sobre seus produtos finais.
A aquicultura moderna possui três componentes essenciais: produção lucrativa, a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento local, ressalta o professor Wagner Cotroni Valenti, do Centro de Aquicultura da UNESP durante o 12º Congresso de Zootecnia.
A fazenda apresenta esses três pilares em sua fundamentação. A produção lucrativa via sistema intensivo de criação; a preservação do meio ambiente através de manuseios sustentáveis da fazenda como o reaproveitamento de todas as águas utilizadas no cultivo dos animais nos tanques de engorda através do sistema de decantação e o desenvolvimento local.
Sendo Barreiras distante cerca de 862 km da capital Salvador, tem seu próprio comércio de frutos do mar e um novo empreendimento que gera empregos, por exemplo, nos trabalhos manuais da fazenda são mais de 15 pessoas empregadas e na área do frigorífico são cerca de 30 funcionários, fora o setor de marketing, RH, financeiro etc.
Segundo a responsável pela comunicação e marketing da fazenda, o sistema de decantação funciona de forma simples: mensalmente as águas descem para pistas de ‘’descanso’’ das águas para que se acumulem os flocos de impurezas que serão reaproveitados pelas fazendas vizinhas em suas compostagens. Após esse período de descanso e feito a separação, as águas voltam ao sistema de abastecimento dos tanques sendo tratadas com biofiltros que garantem a saúde dos animais cultivados na fazenda.

Em relação a produção lucrativa, percebemos que isso está no cuidado com o manejo dos peixes. Com o passar do tempo, o aquicultor consegue fazer uma conta básica de porcentagem para saber quanto dos alevinos iniciais irão se tornar tilápias prontas para passar pelo processo de abate. Este processamento é feito dentro do frigorífico da fazenda onde também é feita a embalagem dos produtos finais, com base na cadeia completa de cultivo do empreendimento.
Em cada tanque são colocados aproximadamente 60 mil tilápias e desse montante cerca de 5 a 10 mil serão perdidos por inúmeros fatores, desde a disputa por espaço entre elas e até mesmo àquelas que não se adaptam à climatização das águas, segundo a porta-voz da fazenda. Porém, mesmo com essa perda significativa do número inicial, a fazenda consegue mensalmente produzir cerca de 60 toneladas de tilápias que são processadas e na indústria tem seu corte definido podendo ser ele filé ou posta.

Com o sistema intensivo também na criação de camarões cinza, a fazenda se destaca com o investimento em tecnologias, bons equipamentos, ração de alta qualidade nutricional e um controle rigoroso dos parâmetros da água e dos animais. Normalmente o cultivo é feito em tanques com alta densidade de estocagem com manejo constante, alimentação intensiva e claro, a aeração que injeta mais oxigênio na água para garantir saúde para os animais, para que tenham uma carne macia no final do processamento.

Além de impulsionar a economia local, a fazenda Bahia Camarões também exerce função social na comunidade local recebendo alunos para aulas de campo a respeito dos sistemas de criação dos animais, disseminando mais interesse pela área da aquicultura e incentivando os sonhos dos estudantes. No sábado, 23 de novembro, o gerente da fazenda recebeu uma turma do SENAR Bahia acompanhados pela professora Laura Filipin da Costa.

Atualmente, a fazenda é responsável por abastecer todo o Estado da Bahia, possuindo o selo CONSID de aprovação de inspeções sanitárias e segue em crescimento exponencial visando expandir seus produtos para outros estados.
Para quem gostou de saber mais sobre a aquicultura e quer conhecer mais sobre a fazenda é só visitar o site: Bahia Camarões, onde além dessas e outras informações, você encontrará receitas com os pescados produzidos na fazenda, link para pedidos e os contatos dos responsáveis pela fazenda.





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