Ocupar para salvar Enquanto a rua oferece risco, a quadra vende tempo: como um projeto social usa o futebol para transformar a vida de jovens
- ruthycosta

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Por: Ana Bárbara Granja de Sá e Maria Eduarda Sousa
Um projeto social que vem transformando a realidade de crianças e jovens em Ipiranga do Piauí tem se destacado pelo impacto positivo na comunidade. Criada em 2009, a Associação Estudantil Municipal de Ipiranga do Piauí (AEMIP) com o slogan :”UMA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL” surgiu com a missão de promover ações sociais que contribuam para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes e jovens.

Reprodução
A iniciativa atua em diversas áreas, como esporte, educação, cultura, saúde e meio ambiente, lazer, e entretenimento, oferecendo atividades que estimulam não apenas o aprendizado, mas também a convivência social e o fortalecimento de valores para o exercício da cidadania. Com o propósito de formar cidadãos mais conscientes e preparados para o futuro. A AEMIP busca ampliar horizontes e criar estas oportunidades que, muitas vezes, não teriam acesso a esse tipo de incentivo.
Além disso, o projeto desempenha um papel fundamental ao ajudar a tirar crianças e jovens das ruas e afastar de más influências e da vulnerabilidade social, oferecendo um ambiente seguro, familiar, educativo e acolhedor. Ao ocupar o tempo com atividades produtivas e incentivar a participação social, a associação contribui diretamente para a prevenção de situações de risco.
Com o objetivo de descobrir e desenvolver talentos, a AEMIP incentiva habilidades individuais e coletivas, fortalecendo a autoestima e abrindo novas perspectivas de vida. Ao longo dos anos, a entidade estudantil tem se consolidado como um importante instrumento de transformação social na comunidade.Para entender como essa transformação acontece na prática, bastou conversar com quem vive a AEMIP desde o primeiro dia.

João Fontes, coordenador geral da AEMIP. Reprodução arquivo pessoal,
“Queremos formar cidadãos críticos, conscientes e multiplicadores de valores”, comenta João da Silva Fontes Neto, professor, vigilante escolar e coordenador-geral da AEMIP. Ele relembra que, em março de 2009, liderou um grupo de estudantes em uma assembleia na Casa Paroquial, momento em que nasceu a associação. Segundo ele, o propósito sempre foi claro: defender os direitos estudantis e melhorar a qualidade de vida e da educação em Ipiranga do Piauí, sem qualquer distinção de raça, credo ou orientação. “Queremos formar cidadãos críticos, conscientes e multiplicadores de valores” destacou.

Campeonato 09/04/2026. (Foto: Lauanny/ Marketing AEMIP).
Hoje, o público atendido vai de crianças regularmente matriculadas no ensino fundamental até jovens do ensino superior. E o que a AEMIP oferece vai muito além das quatro linhas do campo. O coordenador lista: “Estamos na 24ª edição dos campeonatos esportivos, mas também realizamos palestras sobre proteção dos animais e meio ambiente”. Ao longo de 17 anos, vieram cursos de informática, violão, técnica vocal, Muay Thai, capoterapia, grupos de dança e teatro, expedição de documentos, construção de 50 casas populares na zona rural, excursões e até projetos de lei que criaram a carteirinha do estudante e o título “Aluno Destaque” no município.
Tudo isso, no entanto, funciona com um orçamento apertado. João da Silva explica que o projeto se mantém unicamente por meio de parcerias com a prefeitura municipal e alguns amigos patrocinadores. A diretoria toda é voluntária. E, quando perguntado sobre apoio de empresas ou recursos públicos, ele é direto: “Infelizmente, não”.
A solução para manter os jovens engajados principalmente os mais velhos é simples, explica ele: oferecer o que eles mais gostam, como: esporte, lazer e diversão. O resultado, porém, é profundo. “O maior resultado é o crescimento social e a inclusão no mercado de trabalho”, afirma. Ele cita ex-membros que se tornaram professores ou conseguiram empregos justamente por causa da experiência que tiveram como voluntários na associação.
A prova mais bonita desse ciclo virtuoso é que muitos deles voltam. “Após anos, retornam como colaboradores”, conta João, com emoção. “A AEMIP proporciona momentos de aprendizagem, companheirismo, respeito, prosperidade, esperança, paz e alegria. E esses adjetivos, quando vividos na prática, deixam saudades no coração das pessoas.”
Para além das atividades e da trajetória construída ao longo dos anos, a essência da AEMIP se revela nas experiências de quem participa do projeto. Os jovens Pedro Lucas e Lauany mostram, na prática, como a associação impacta suas vidas e contribui para a formação pessoal e social.

Pedro Lucas, Jovem participante da AEMIP. Reprodução arquivo pessoal
Pedro Lucas afirma que não entrou apenas pelo futebol, mas também pela movimentação do projeto: “Não é só o futebol, tem várias coisas envolvidas”. Para ele, a quadra representa mais do que um espaço esportivo, é um lugar de distração e alívio emocional, comenta, “Quando a gente entra, esquece dos problemas”.

Lauanny Silva, Jovem participante da AEMIP. Reprodução arquivo pessoal
Já Lauany conta que foi a curiosidade que a levou até a AEMIP, e hoje ela destaca o crescimento pessoal como principal resultado: “Aprendi a me comunicar melhor, a ajudar mais as pessoas e a enxergar novas oportunidades”.
Dentro do projeto, ambos ressaltam que existem momentos de competição, estresse e até conflitos, principalmente durante os jogos, mas o respeito e a união sempre prevalecem. Além disso, destacam que as atividades vão além do futebol, incluindo convivência, organização e momentos de diálogo e diversão. Fora da quadra, os laços continuam, fortalecendo amizades que fazem parte do dia a dia.
Pedro resume sua vivência como “momentos de aprendizado e convivência”, enquanto Lauany define sua experiência em uma palavra: ""desenvolvimento, mostrando que, para além do esporte, o projeto contribui para a formação de valores e para o crescimento individual.
Diante disso, a AEMIP se consolida como mais do que um projeto social. Ao unir esporte, convivência e aprendizado, contribui diretamente para afastar jovens das ruas, das más influências e das situações de vulnerabilidade. Assim, a proposta de “ocupar para salvar” se concretiza na prática, mostrando que a quadra não é apenas um espaço físico, mas um ambiente de transformação, esperança e construção de futuros.

Imagem: Campeonato 09/04/2026. (Foto: Lauanny/ Marketing da AEMIP)

Treino 13/09/2026. (Foto: Maria Eduarda)


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