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Várzea Queimada: conheça a história de uma família que mantém viva a tradição do artesanato da palha



Toda família carrega consigo uma tradição aprendida com os seus antepassados, podendo ter sido ensinada pela avó que colocava sua neta para rezar o terço ou até mesmo o pai que lhe ensinava a plantar feijão na “época das chuvas” ou o famoso “inverno”.

Tradições essas que se tornaram essenciais para fortalecerem o sentimento de pertencimento de uma pessoa com os seus familiares. E no Semiárido Piauiense, não é diferente, encontrando-se famílias que carregam dentro de si histórias, memórias e conhecimentos que perpassam gerações, influenciando e enraizando as suas origens por onde quer que passem.

Tendo em vista esse contexto, hoje será contada a história de uma família que passa de geração para geração sabedoria, tradição e principalmente a necessidade de se ter união para chegar a um objetivo em conjunto. Para contar esse relato ao leitor, fomos até um pequeno povoado do Semiárido Piauiense, chamado Várzea Queimada, que possui cerca de 900 habitantes, pertencente ao município de Jaicós. Onde encontramos uma família que tira o seu sustento do dia a dia de materiais que a própria terra oferece, ou até mesmo, ressignificando materiais descartados no meio ambiente.


Maria do Rosário da Costa, 49 anos, (artesã e agricultora) trabalha com a palha da Carnaúba (palmeira comum da região Nordeste) desde os seus nove anos, tendo aprendido com sua tia e sua mãe a fazer as tranças, que ao decorrer do processo se transformam em chapéus, esteiras e demais utensílios.


A palha que Maria do Rosário trabalha é coletada da Carnaúba que é uma árvore que se encontra facilmente no Povoado de Várzea Queimada, como também é considerado um patrimônio estadual, pois em setembro de 2017, foi promulgado por meio do decreto estadual n° 17.378 como árvore símbolo do Piauí. Veja o infográfico abaixo e conheça mais um pouco sobre essa árvore:




Maria do Rosário é casada há trinta anos com Martinho José Barbosa, 53 anos, que trabalha como agricultor e artesão. A união dos dois gerou um casal de filhos (Rosalina e Marcos) dando ao casal quatro netos, tendo em vista que dois dos netos moram com eles.



No início da entrevista foi perguntado como se deu a iniciativa do casal de trabalhar com técnicas existentes na comunidade e de se juntar dois ofícios (artesanato e agricultura). Maria do Rosário relatou que a ideia surgiu do seu marido, por considerar as três matérias-primas (pneu, plantio de frutas, legumes e trançado da palha de Carnaúba) uma ótima ajuda na renda.

No momento, a artesã se sentiu confusa ao relatar que o sustento da casa é ajudado pelo artesanato, mas que não consegue se balancear somente através dele, devido à procura pelos produtos serem sazonais. Mas o olhar da artesã consistia em um brilho em se orgulhar de falar que aquele serviço é feito de muita luta do dia a dia, de horas dedicadas com afinco, olhando insistentemente para as tranças percorrendo suas mãos.




O casal possui um espaço dedicado à plantação de coentro, tomate, maracujá, melancia, feijão e pimentão que acabam servindo para consumo próprio como também para vender na própria comunidade. Porém, no momento da entrevista, devido não estar no período de chuvas, não foi possível registrar os mesmos. Essa questão evidencia a falta de tecnologias apropriadas para o período de estiagem (como a utilização de cisternas para armazenamento de água), fazendo com que as famílias fiquem dependentes do período chuvoso para produção de alimentos. Logo abaixo, encontram-se uma imagem de arquivo do local:


O esposo de Maria do Rosário, além de trabalhar como agricultor juntamente com ela, também se dedica ao artesanato, produzindo sandálias, colares, anéis e terços. E o que mais surpreende é que a matéria-prima utilizada para a confecção dos objetos são derivados de pedaços da borracha de pneu descartados nas rodovias pelos caminhoneiros. É um trabalho feito de forma manual e requer atenção nos detalhes, para recortes e curvaturas saírem alinhados.









Ao decorrer da conversa, Maria do Rosário comenta sobre a criação dos seus filhos e netos, deixando claro a intenção dos seus ensinamentos e da sua preocupação em ensinar a eles o caminho certo. Como também da importância de se ter união em uma família, onde cada um desempenha um papel, aprendendo tradições que passam de seus antepassados até os dias atuais. E assim, essa família vai percorrendo o dia a dia no sertão, demonstrando força, trabalho, união e sabedoria em tirar proveito do que a própria terra oferece.

“Do jeito que ensinei meus filhos, eu ensino meus netos a plantar frutas, cheiro verde, tomate, eu vou colher, e eles vendem, tem que ensinar” (Maria do Rosário da Costa)


Ensaio fotográfico abaixo:
















 
 
 

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